23 de janeiro de 2012

TUCANO-DE-BICO-VERDE

    O tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) é uma ave piciforme pertencente à família Ramphastidae, tem cerca de 48 cm, boa parte correspondendo ao bico. Pesa em torno de 320 g a 400 g. Apresenta papo amarelo e bico verde. O serrilhado do bico é bem desenvolvido e realçados pela cor vermelha sanguínea. Sua voz caracteriza-se por uma sequência de “äk”, “rrät”, “rräit”.


     
     Alimenta-se de frutos, artrópodes e pequenos vertebrados, sendo que com frequência alimenta-se de filhotes e ovos em ninhos de outras aves.


        Bota de 2 a 4 ovos, incubados durante 18 dias.
    Vive em áreas florestadas, desde o litoral até as zonas montanhosas, incluindo as florestas de planalto.



     Habita a copa de florestas altas, principalmente em áreas montanhosas da Mata Atlântica, em seu interior e nas bordas. Era comum ao longo de toda sua área de ocorrência, tendo entretanto se tornado raro em muitas regiões devido à destruição de seu habitat natural. Associa-se muitas vezes à grupos de tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus).

     O tucano-de-bico-verde é encontrado em toda a região Sul e Sudeste do Brasil, e também, no sul de Goiás (onde é bem raro), Paraguai e até o nordeste da Argentina. Bastante comum em regiões de serra, onde é avistado em pequenos bandos. É esta a espécie de tucano que mais avança ao sul de nosso país.


Confira:   

BEM-TE-VI

     O bem-te-vi é uma das aves mais conhecidas do Brasil, tem aproximadamente 25 cm, de coloração parda no dorso e amarelada no ventre, com sobrancelha branca muito visível na grande cabeça; uma listra no alto da coroa varia de amarelo-claro a laranja-vivo.
      A espécie não apresenta dimorfismo sexual, ou seja, diferenças visíveis entre macho e fêmea.

   
 
NOME - Bem-te-vi 
NOME CIENTÍFICO - Pitangus sulphuratus 
SINÔNIMOS - Lanius sulphuratus - Linnaeus, 1766 
ORDEM: Passeriformes 
SUBORDEM: Tyranni
FAMÍLIA: Tyrannidae
SUBFAMÍLIA: tyranninae
GÊNEROE SUBGENERO: Pitangus
ESPÉCIE: sulphuratus 
NOME EM INGLÊS: Great Kiskadee
OUTROS NOMES: Pituã, Triste-vida, Bem-te-vi-de-coroa, Pitanguá, Siririca (fêmea)
TAMANHO: 25 cm
ALIMENTAÇÃO: Insentívoro
LOCALIZAÇÃO: América do Sul, América do Norte e América Central.
    O Bem-te-vi é insetívoro, come todo o tipo de comida, devora centenas de insetos diariamente mas também fruta e flores de um jardim, ovos de outros passarinhos, minhocas, outros bichos (até cobras). 

        É uma ave generalista que está sempre descobrindo novas formas de alimento. Devido ao seu regime alimentar onívoro, por vezes contribui para o controle de pragas de insetos, inclusive cupins urbanos.


     Seu nome popular é onomatopaico, pois ele emite um chamado curioso, no qual parece pronunciado com clareza: "Bem-te-vi. No calor do dia chamará sua atenção constantemente cantando o seu nome e se sentará em um fio de telefone ou em um telhado. A maioria dos outros pássaros manterá silencioso, ao redor, enquanto o bem-te-vi canta.
    
    O ninho do Bem-te-vi fica em lugar visível, é grande e esférico, e é feito de todos os tipos de plantas, freqüentemente com capim. Põe de 2 a 4 ovos de cor creme com poucas marcas marrom-avermelhadas. Existem muitos registros de nidação em cavidades de árvores, rochas e estruturas artificiais, portanto é uma ave cavi-nidícola.


      Este pássaro defende seu ninho vigorosamente e, ele será agressivo com outros pássaros mesmo que não tenha nenhum ninho. É comum ver um Bem-te-vi perseguindo um pássaro que ele, sobretudo corujas e rapineiros, afugenta para longe. Possui grande capacidade de adaptação e é um dos primeiros a cantar ao amanhecer.

Refletindo...

11 de janeiro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR SINCERO ENTRE ANIMAIS E HUMANOS

JUMA

Hoje resolvi fazer uma postagem especial, nela vou contar a história da Juma, minha gatinha que neste dia 13 de janeiro irá completar 3 anos de vida.

A mãe biológica da Juma era minha gata de estimação, chamava-se Biguta, era bem dócil e comilona, apareceu no pátio da minha antiga casa esfomeada, magra e bem suja; comecei a por comida para ela, que acabou ficando em minha casa, mas com restrições: nada de subir no sofá ou outro móvel, dormir na casinha junto com o Guapo (meu cachorrinho), não subir no colo, nem ficar se esfregando muito, etc.
 Biguta

A Biguta ficou prenha algumas vezes e nasceram lindos gatinhos que sempre doamos a pessoas que realmente cuidassem com carinho.

 Esse aqui é o Frajola, que dei para minha sogra, aqui era filhotão ainda.

Quando construímos nossa casa e nos mudamos, a Biguta foi junto, é claro, logo ela entrou em cio e engravidou. No início de janeiro de 2009 aguardávamos o nascimento dos filhotes, mas isso estava demorando a acontecer. Então no dia 13, percebi que meu cachorro estava muito bravo latindo em direção a sua casinha, fui conferir o que estava acontecendo, e para minha surpresa lá estava a Biguta com seu primeiro filhote (mais parecia uma patinha extra dela de tão pequenino que era). Providenciei uma caixa e coloquei-a e “o” filhote dentro, abrigando-os em um galpão. Mais tarde, descobrimos que mais um filhote havia nascido bem maior que o primeiro.

No outro dia percebemos, que a barriga dela continuava bastante grande, fui ao veterinário que receitou medicamento para expulsão do “que havia ficado dentro” e antibióticos. Ela não estava amamentando os filhotes e por estar bem doente, abandonou-os. Então, eu os levei para dentro de casa, improvisei uma mamadeira e comecei alimentá-los. Fiz algumas tentativas para que ela desse mama para eles, mas foram em vão.

No dia seguinte, a Biguta sumiu, provavelmente fora morrer longe de casa, acreditamos que ela tenha tido uma forte infecção pós-parto.

Cuidei dos filhotes, mas ao quarto dia, o maior deles morreu. Fiquei triste e resolvi pesquisar na internet como alimentá-los e cuidá-los adequadamente.

Descobri uma receita de leite que substituía nutricionalmente o leite materno da gata:
1 copo de leite UHT integral (jamais dar leite de vaca, pois tem muita lactose, dificulta a digestão e não nutre os gatinhos).
1 copo de água fervida
2 colheres de sopa de farinha láctea
1 colher de sopa de mel
1 gema de ovo bem cozida
Misture tudo, bata no liquidificador e coloque numa vasilha de vidro lacrada. Guarde na geladeira e na hora de alimentar o bebê gatinho retire só a quantidade necessária. Esta receita serve para até 3 dias. Depois disso precisa fazer uma nova.

Eu alimentava o gatinho de 2 em 2 horas (inclusive de madrugada), com uma mamadeira adaptada, contendo cerca de 5 ml de leite.

Em cada mamada, passava um algodãozinho (umedecido em água morna) na região urogenital para estimular ele a urinar, visto que a mãe gata faz isso lambendo-o. Duas vezes ao dia, introduzia uma pequena lasquinha de supositório infantil no seu ânus para estimulá-lo a defecar e massageava com um algodãozinho úmido.





Para mantê-lo aquecido, eu colocava 2 garrafas Pet com água quente dentro da caixa de papelão e cobria com panos até ficar uma temperatura em torno de 38ºC.
        
         Observando bem o filhote, descobri meio que instintivamente que era uma fêmea.
        
        Quando completou uma semana, eu enxertei ela em uma gata que estava com filhotes da mesma idade, porém estes tinham o dobro ou mais de tamanho. A gata foi levada ao Centro de Controle de Zoonoses do meu município (popular canil municipal), fiquei com dó em fazer isso, mas acreditava que a gatinha teria mais chances de sobreviver se fosse cuidada por uma gata. A gata mãe aceitou-a bem, lambeu bastante como se fosse sua.

 Mamãe gata postiça


         No dia seguinte, resolvi ir levar uma doação ao CCZ e verificar a feliz família de gatinho que eu deixei lá. Mas para minha surpresa, quando cheguei lá, vi uma cena triste de mais. A gata havia sido solta para fazer necessidades e não havia retornado à gaiola, os 6 gatinhos irmãos estavam todos emboladinhos num canto da gaiola e a minha estava em outro canto rejeitada e tremendo de frio. Na hora, fiquei sem reação e voltei para casa, onde chorei muito, então resolvi voltar lá e buscar minha pequena.

         Ela chegou em casa, muito magra, gelada de frio, judiada e urinando sangue, acho que a gata acabou assustada e rejeitou-a. Neste dia, escolhi o nome para ela: JUMA , pois na época estava em reprise a novela Pantanal a qual eu gostava muito e a personagem principal, interpretada pela Cristiana de Oliveira, chamava-se Juma e era uma mulher bem guerreira, na trama ela havia sido colocada recém-nascida numa canoa e abandonada em um rio pela mãe, que arrependida resgatou-a. Havia semelhança nos fatos, não é?

         A coloração do pelo dela é exatamente a que sempre achei feia, assim meio cinzenta tigrada, o popular mourisco, mas o correto é agouti.

      Durante um mês e alguns dias realizei todos os procedimentos descritos anteriormente, só aumentando semanalmente a quantidade de leite por mamada e o intervalo entre elas.

        Enfim, ela cresceu, se desenvolveu, tornou-se o meu xodó, minha paixão, minha filha de estimação.

 Aqui ela tá com a tia Dadah

Juma se alimentando sozinha, sem minha ajuda pela 1ª vez.

 Com um mês de idade ela foi acampar comigo e minha família, não confiei em ninguém para deixar cuidando dela.
Explorando a natureza...
 Brincando com a tia Dadah
 Querendo comer um dedo...




 Folias com a Daiane


 Sapeca da mãe!!!!
 Meu bem-bem!




 Dentro da bolsa da tia Dadah
Sendo "judiada" pelo Luciano (meu marido)

         Aos 15 meses de idade, levei-a ao veterinário para castrá-la, porém o procedimento não foi realizado, pois ela resistiu a anestesia. O veterinário fez a dose indicada para o peso e mais um pouco, seguiu todos os passos, mas quando foi fazer a incisão ela acordou. Acabei desistindo da castração, ela toma quinzenalmente pílulas anticoncepcionais para gatas e nunca teve filhotes.

        Eu cresci sem poder acariciar nenhum gatinho, pois era muito alérgica, por isso tantas restrições á Biguta. Mas, com a Juma eu acho que desenvolvi resistência, ela vive no meu colo, no sofá, na cama e nunca tive alergia dela.

      Eu e a Juma temos uma ligação muito forte, mostrando que o amor fraternal entre humanos e animais é sim possível e real.

        Nos entendemos pelo olhar. Eu conheço cada tipo de miado dela e sei o que ela está querendo dizer ou pedir: ração, leite, sair pra fora de casa, colo, carinho, anticoncepcional, ir dormir junto comigo. Até quando ela vai entrar em cio, sobe no colo e começa a miar e olhar bem na minha cara, contando que tem algo diferente acontecendo, então eu dou o remedinho dela e tudo passa.

         Ela também me conhece na alegria, na tristeza, na dor, certa vez, eu estava deitada com muita dor de estômago, a Juma veio deitar comigo, me cheirou, ronronou e deitou bem rente a minha barriga que ficou aquecida e passou a dor.

Tem unhas bem afiadas e uma mordida fabulosa, mas é só os “estranhos” não mexerem na barriga ou cauda dela que não há problemas.










 Com cara de má!!!


 No colinho da mamãe!!!


 Mimindo...



       Juma adora brincar de esconde-esconde e pega-pega comigo, parecemos duas crianças correndo pelas peças da casa. Ela também adora um ventilador nos dias de calor. Gosta de caçar meus rabicós perdidos pela casa e começa a miar até me achar e ofertar a sua “caça”, gosta de vir digitar comigo quando estou no computador. Esta sempre no lugar da casa onde eu estou, muito carinhosa comigo é minha grande companheira.

         Juma eu amo você minha pelúcia, paixão da minha vida!!!!


Apelidos carinhosos: Jumisca, Juba, Buba, Bubisca, Bubalina, Maria Pelúcia, Maria Pretinha, Cheiro de Cu, Paixão, Bebê, Doce... Ela atende a todos.
        





8 de janeiro de 2012

ALIMENTOS QUE SUBSTITUEM NUTRICIONALMENTE A CARNE VERMELHA

Eliminar ou, pelo menos, reduzir a ingestão de carne vermelha se tornou um desejo comum entre pessoas que buscam uma alimentação mais saudável e preventiva. Rica em colesterol e gorduras saturadas, a carne vem sendo cada vez mais associada a doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer.
Porém, como se trata de ótima fonte de ferro e proteínas (fundamentais para o bom funcionamento do organismo), todo cuidado é pouco na hora de substituir esse item do cardápio.
Antes de tudo, é importante ressaltar que nenhum alimento contém todos os nutrientes, assim como nenhum nutriente está presente em apenas um alimento. Portanto, é importante que as pessoas que pretendem substituir a carne vermelha da dieta, seja de forma parcial ou não, precisa investir em vários substitutos para manter uma nutrição ideal. Seguir uma dieta variada, para que não haja comprometimento das necessidades nutricionais diárias, consumindo alimentos ricos em ferro, proteínas e vitamina B12 é indispensável.
Conheça os principais alimentos que garantem a reposição nutricional em substituição à carne vermelha:
Soja: principal alternativa à carne, é rica em proteínas e fornece todos os aminoácidos de que precisamos. Sua ingestão também reduz o colesterol, prevenindo doenças cardiovasculares. O mercado fornece um grande leque de produtos, como bife, leite, queijo, iogurte e hambúrguer. Patês, sopas, vitaminas e saladas com tofu são ótimas maneiras de consumir o grão. A proteína texturizada fica deliciosa em molhos e recheios.
Frango e peixe: possuem praticamente os mesmos nutrientes da carne vermelha (ferro, zinco, proteínas e vitamina B12) e quantidades menores de colesterol e gordura saturada. Para uma refeição ainda mais light, retire a pele e opte por prepará-los assados, cozidos ou grelhados.
Ovo: importante fonte de proteínas, vitaminas e minerais, ele ainda fornece ômegas 3 e 6. Estudos recentes derrubaram o mito de que sua ingestão aumenta a taxa de colesterol. Uma omelete preparada com duas claras, uma gema e queijo branco pode ser consumida tanto no almoço quanto no jantar.
Leite e seus derivados: constituem umas das principais fontes de proteínas de origem animal. Para compensar a baixa concentração de ferro (e evitar anemia), recomenda-se o consumo dos tipos fortificados. Embora sejam substitutos razoáveis, não devem ser consumidos com as principais refeições, pois a absorção do mineral pode ser prejudicada. Vitamina ou iogurte de frutas e um sanduíche de pão integral com queijo branco são um bom exemplo de cardápio para o lanche da tarde ou o café da manhã.
Vegetais verde-escuros: fontes privilegiadas de ferro, eles devem fazer parte de todas as refeições diárias. Salsa, couve, agrião, rúcula, brócolis, espinafre e folhas de beterraba também podem incrementar uma sopa quentinha ou entrar no recheio de panquecas e tortas salgadas.

CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL E BIOMAGNIFICAÇÃO DOS AGROTÓXICOS

  Quando os agrotóxicos são aplicados nos agroecossistemas, eles sofrem uma séria de reações e redistribuem-se nos diversos componentes deste ambiente, contaminando-os.

   O grupo de agrotóxicos organoclorados foi o primeiro que despertou opinião pública devido a sua elevada estabilidade química que lhes confere prolongada persistência no ambiente.

  O termo biomagnificação expressa o acúmulo dos agrotóxicos nos diversos níveis tróficos das cadeias ecológicas dos ecossistemas.O homem, por estar no topo de diversas cadeias alimentares, assim como os pássaros predadores, são os organismos que mais concentram os compostos organoclorados, com maiores riscos de intoxicação e morte.

  A biomagnificação nos agrotóxicos nos organismos e a contaminação pode ser apresentada da seguinte maneira:

=> Resíduos em água
=> Resíduos em ecossistemas aquáticos
=> Resíduos no solo
=> Resíduos em organismos terrestres 
=> Resíduos na atmosfera

   São dois os processos de biomagnificação:
=> Biomagnificação em certo nível trófico 
=> Biotransferência de um nível trófico para outro

   São duas as formas como ocorre a biomagnificação:
=> Absorção direta do meio através da osmose 
=> Assimilação direta via oral através de alimentos

  A característica de um praguicida para sofrer magnificação biológica é persistência no meio ambiente, na forma disponível e no sistema biológico.

Como manejar os resíduos tóxicos:

   O controle efetivo do armazenamento, do tratamento, da reciclagem e reutilização, do transporte, da recuperação e do deposito dos resíduos perigosos é de extrema importância para a saúde do homem, a proteção do meio ambiente, o manejo dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável. Isto requer a cooperação e participação ativa da comunidade internacional, dos Governos e da indústria..

  A prevenção da geração de resíduos perigosos e a reabilitação dos locais contaminados são elementos essenciais e ambos exigem conhecimentos, pessoal qualificado, instalações, recursos financeiros e capacidades técnicas e científicas.

   Vários programas relacionados a manejo têm como objetivo geral impedir, tanto quanto possível, e reduzir a produção de resíduos perigosos e submeter esses resíduos a um manejo que impeça que provoquem danos ao meio ambiente e a saúde humana.

1 - Objetivos dos programas:
=> Promover a prevenção e a redução ao mínimo dos resíduos perigosos
=> Promover e fortalecer a capacidade institucional do manejo de resíduos perigosos
=> Prevenir o trafico ilícito dos resíduos perigosos
=> Estratégias de recuperação de resíduos perigosos para convertê-los em materiais úteis

2 - Cuidados com embalagens usadas:
=> Embalagens e vasilhames contaminados com agrotóxicos nunca devem ser queimados, enterrados, despejados no solo, jogadas na água ou deixadas nas beiras de rios ou estradas. Esse cuidado evitará a contaminação das águas, lagos e rios, e também de animais e pessoas.
=> As embalagens de agrotóxicos vazias devem ser lavadas três vezes e serem guardadas em local seguro, até irem para um centro de recepção e coleta para reciclagem e destinação final sem riscos.
=> O usuário de agrotóxicos deve consultar o fabricante e o revendedor para saber quais os centro de recepção e coleta de embalagens vazias que existem na sua região.
=> A água da lavagem dos vasilhames deve ser colocada no tanque do equipamento de aplicação para ser reutilizada nas áreas de lavoura recém-tratadas.
=> Para conhecer o grau de risco dos agrotóxicos, observar as informações do rótulo que indicam a classe toxicológica dos produtos.

3 - Regulamentação no manejo de resíduos tóxicos:
   Na seção I da resolução 44/226, de 22 de dezembro de 1989, a Assembléia Geral solicitou a cada uma das comissões regionais que, dentro dos recursos existentes, contribuíssem para a prevenção do tráfico ilícito de produtos e resíduos tóxicos e perigosos, por meio de monitoramento e avaliações regionais desse tráfico e de suas repercussões sobre o meio ambiente e a saúde. A Assembléia solicitou também às comissões regionais que atuassem em conjunto e cooperassem com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tendo em vista manter o monitoramento e a avaliação eficazes e coordenadas do tráfico ilícito de produtos e resíduos tóxicos e perigosos

   A saúde humana e a qualidade do meio ambiente se degradam constantemente devido a quantidade cada vez maior de resíduos tóxicos que são produzidos.Estão aumentando os custos diretos e indiretos que representam para a sociedade e para os cidadãos a produção, manipulação e depósitos desses resíduos.

O controle de pragas e uso de pesticidas:

1 - Necessidade do controle de pragas

  Produtos químicos como pesticidas ou praguicidas são utilizados contra pragas animais ou vegetais prejudiciais ao ser humano e a plantas cultivadas.

  Combatem as endemias, como o controle da dengue, febre amarela, controle de chagas e as pragas na lavoura.

   Usualmente se diz que determinada praga está controlada, quando se mantém sua densidade populacional abaixo do chamado “nível de dano econômico”, no caso de pragas agrícolas; ou, abaixo do “nível de transmissão”, no caso de doenças transmitidas por vetores, em saúde publica.

2 - Perdas agrícolas devido a pragas

    Desde tempos mais remotos, os problemas fitossanitários têm causado inúmeros prejuízos à agricultura. Indubitavelmente, esta batalha persistirá, pois homem, pragas, patógenos e plantas invasoras têm em comum um princípio básico de busca: o alimento, sem o qual não sobrevivem.

   A maior expansão demográfica ocorrida no início deste século, a maior demanda de alimentos, o monocultivo, a abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas tropicais e sub-tropicais, bem como as significativas modificações nos ecossistemas fizeram com que estes agentes biológicos e seus subseqüentes danos abalassem a economia de diversos países, com enormes prejuízos.Pragas introduzidas em novas áreas estão custando atualmente à sociedade moderna direta e indiretamente US$ 6 bilhões/ano em perdas na produção e produtividade, adoções de medidas de controle, desemprego, citando apenas alguns fatores.


    Em estimativas feitas pelo governo americano, 43 insetos invasores exóticos, no período de 1906 a 1991, causaram prejuízos de US$ 925 bilhões aos cofres públicos. Nos últimos anos, apenas cinco grupos de insetos, foram os responsáveis por US$ 3 bilhões/ano. Para as associações de cotonicultura americanas, no sistema produtivo de algodão, no ano de 2002, os prejuízos somaram US$ 1,2 bilhão/ano provocados por alguns poucos insetos. As perdas totais nessa cultura causadas por esses insetos foram de 4,79%, o que provocou aumentos de US$ 60,67 por acre na adoção de medidas de controle e de US$ 88,80 por acre, considerando custos e perdas.

     A introdução do bicudo do algodoeiro, na década de 1980, levou à queda de produção de algodão, principalmente na região nordeste do país, gerando uma catástrofe social. O desenvolvimento de cultivares pela Embrapa adaptadas a outras condições climáticas, associado ao manejo integrado de pragas, está fazendo com que o país, ainda que timidamente, volte a exportar esse produto.

   A entrada e dispersão recente da sigatoka negra da bananeira, que entrou pela Venezuela ou pela Colômbia, a mosca-da-carambola vinda, provavelmente da Guiana Francesa, a mosca-negra-dos-citros proveniente do Caribe, a ferrugem asiática da soja, proveniente do Paraguai, além de outros exemplos já ocorridos no Brasil, como a mosca-branca, nematóide do cisto da soja, vírus da tristeza do citros, cancro-cítrico, ferrugem do cafeeiro, vespa-da-madeira, são apenas alguns dos organismos presentes, atualmente, nos sistemas agrícolas de forma localizada ou dispersos nos sistemas agrícolas.

     Outro exemplo a ser dado e que não deve ser esquecido de introdução e conseqüente estabelecimento da praga, é o da vassoura-de-bruxa. O Brasil passou do segundo produtor mundial de cacau, em 1985, com uma produção de 500.000 toneladas para um quarto da produção da Costa do Marfim, no ano de 2000. Da mesma forma, o psilídeo de concha que afeta o setor florestal e foi introduzido recentemente poderá ter seu efeito diminuído pela descoberta de um inimigo natural dessa praga, em solo brasileiro. A criação massal desse agente de controle por parte da Embrapa, para liberação em áreas infestadas pelo psilídeo já se iniciou.

     Apesar de inúmeras pragas já terem sido introduzidas no Brasil, outras centenas, ainda podem entrar e estabelecer. Em levantamentos recentes realizados pelo Laboratório de Quarentena Vegetal (LQV), da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, observou-se que aproximadamente 1.000 insetos podem colocar em risco a agricultura brasileira. Essas e outras pragas ou espécies invasoras exóticas podem afetar o valor agronômico e florestal de produtos, elevar custos de controle, diminuir a qualidade e quantidade de alimentos disponíveis a sociedade, contaminar o meio-ambiente, entre outros fatores, tirando o país da competição do comércio internacional.

3 - O problema das soluções químicas - Promessas
    A utilização de pesticidas químicos é e continuará a ser importante para a redução dos prejuízos das colheitas causados por pragas, nos próximos anos. O mercado de pesticidas registra, atualmente, um volume de receitas de US $30 bilhões por ano, sendo 80% dos pesticidas utilizados nos países desenvolvidos. Espera-se que a procura dos pesticidas aumentará à medida que os países em desenvolvimento forem aumentando a sua produção agrícola para satisfazer as necessidades nacionais. Essa tendência será, provavelmente, impulsionada por muitas das forças responsáveis pela aceleração do crescimento no passado: a ênfase sobre soluções "químicas" para os problemas agrícolas; a promoção do uso de pesticidas pelos serviços de extensão rural, as campanhas de vendas agressivas dos distribuidores de pesticidas; a quase ausência de investimento em métodos alternativos dos pesticidas para proteger as colheitas, especialmente nos países em desenvolvimento; e uma maior resistência das plantas, o que leva cada vez mais ao uso intensivo de pesticidas com o fim de minorar as perdas.

    Assiste-se a uma contínua controvérsia acerca da extensão dos efeitos nocivos dos pesticidas químicos. Devido à criação de uma legislação mais rigorosa sobre o uso de alguns pesticidas e a proibição de outros, as principais sociedades transnacionais que dominam o mercado dos pesticidas estão a investir em novos produtos de pequeno espectro, menos tóxicos e de efeito menos persistentes, a fim de cumprirem as normas mais rigorosas nos seus principais mercados.

     Esses novos e melhores produtos, que são mais caros enfrentam a concorrência dos pesticidas mais antigos sem patentes e sem alvos definidos, que contêm compostos perigosos proibidos, mas a fiscalização do cumprimento da legislação é muito pouco rigorosa.

4 - Problemas originados do uso de inseticidas

    Os inseticidas produzidos nas décadas de 50 e 60 foram muito eficientes e baratos, no entanto trouxeram vários efeitos indesejáveis:
=> A resistência das pragas
=> Destruição de organismos não-alvos
=> Ressurgência de pragas como conseqüências dos fatores a cima
=> Surgimento de pragas secundárias
=> Efeitos adversos ao meio ambiente através da contaminação do solo e da água


Soluções Alternativas Para o Controle de Pestes:

1 - O cultivo sem agrotóxicos

    Núcleos de agricultura natural ou orgânica (sem o uso de agrotóxicos) surgem como alternativa ao modelo das monoculturas, que privilegia a produtividade a custa da saúde dos lavradores e dos consumidores. Os produtores orgânicos estão ganhando cada vez mais espaço junto aos consumidores.

     Os produtos orgânicos, em geral, são de menor tamanho e levam mais tempo para serem produzidos e colhidos. O fato é que quanto mais bonita a fruta ou hortaliça, mais se deve desconfiar do uso abusivo de agrotóxicos.

2 - Gestão integrada do controle de pragas (Integrated Pest Manegement-IPM)

   Promover a Gestão Integrada do Controlo de Pragas (“IPM") seria uma forma de reduzir o uso de pesticidas. Alguns especialistas vêem a IPM como uma componente de um processo mais amplo para uma agricultura "isenta de produtos químicos", ao passo que outros a vêem como um sistema que proporciona o uso mais eficiente de pesticidas químicos. Todos eles, porém, concordam que devem ser escolhidas alternativas de controlo das pragas sem o uso de produtos químicos.

    Dada a atual situação de prevalência dos pesticidas químicos, além das incertezas quanto aos resultados de métodos isentos de produtos químicos, é pouco provável que venha a existir uma agricultura totalmente sem pesticidas nas próximas décadas. É sim, muito provável, que as versões GIP que serão promovidas adotem métodos biológicos, mas com o emprego judicioso de alguns pesticidas químicos. Terá o cuidado em aplicar as quantidades certas de pesticidas em épocas do ano adequadas, sem a destruição dos organismos predadores naturais das pragas.

   Atualmente, varias praticas e métodos permitem controlar pragas e doenças sem o uso de produtos tóxicos, o uso de variedades de plantas resistentes a pragas; rotação de cultura; distribuição de resíduos de colheitas; adubação adequada e outras boas práticas agrícolas.Os principais métodos recomendados são, utilização de inimigos naturais das pragas (controle biológico), controle físico (calor, frio e umidade) e uso de armadilhas e barreiras. 


3 - Aumento da resistência

    O uso abusivo de inseticidas tem propiciado a seleção de inúmeras linhagens de insetos resistentes, alguns dos quais já estão sendo chamados de “superinsetos” devido à grande dificuldade de sua erradicação por via química.

   A resistência é o resultado da seleção de indivíduos geneticamente predispostos a sobreviver aos efeitos dos inseticidas.

  Tolerância é a habilidade que um indivíduo tem de sobreviver aos efeitos dos inseticidas.
  
  A resistência múltipla ocorre quando uma população desenvolve mais de um mecanismo de resistência contra determinados compostos.

4 - Controle biológico

   Esse método consiste em introduzir no ecossistema um inimigo natural (predador, parasita ou competidor) da espécie nociva ao interesse humano, para manter sua densidade populacional em níveis em que os prejuízos provocados sejam toleráveis. Quando bem planejado, acarreta evidentes vantagens em relação ao uso de agentes químico, uma vez que não polui o ambiente e não causa desequilíbrios ecológicos.

   Exemplos de alguns seres vivos que atuam no controle biológico no Brasil:
=> Metarhizium anisoplive: Fungo que parasita insetos diversos como lagartas, besouros, cigarrinhas etc. O micélio do fungo envolve o inseto, mumificando-o.
=> Apenteles flavipes; Pequena vespa, que injeta ovos em lagartas diversas (parasitas da cana-de-açúcar, milho etc). Dos ovos eclodem larvas que destroem o inseto parasitado.
=> Coccinella septempunetata: Inseto conhecido como joaninha, que atua como predador de diversas espécies de pulgões.
=> Boculovirus anticorsia: Vírus utilizado no combate a largata-da-soja.

5 - Biotecnologia

    Futuramente a biotecnologia será utilizada no controle de pragas, fazendo modificações genéticas nas plantas. Essas plantas receberiam os herbicidas mas somente as ervas daninhas seriam destruídas. Já outras plantas foram criadas para resistir a pragas sem uso de pesticidas e outros seriam resistentes tanto a herbicidas como a insetos. Existe porém, uma preocupação de que as variedades melhoradas poderão causar mais resistência às pragas, e uma possível transferência das propriedades genéticas de plantas modificadas para ervas daninhas resistentes aos herbicidas. E não se sabe os efeitos de longo prazo do consumo dessas plantas geneticamente alteradas, tanto em seres humanos como em animais.

6 - Bioinseticidas para o controle de insetos

   O mosquito urbano, também conhecido por muriçoca, carapanã e pernilongo, com sua picada dolorida e um barulho incômodo, está presente em todas as regiões do Brasil. Algumas raças transmitem doenças como a malária e a dengue.

   A Embrapa desenvolveu um inseticida biológico a partir de uma bactéria existente no meio ambiente, que tem se mostrado muito eficaz no combate ao mosquito, eliminando diretamente suas larvas. Mortal para os insetos, o bioinseticida é inofensivo ao homem e aos animais.

   As pesquisas avançam e em breve serão lançados novos bioinseticidas, a partir de bactérias específicas, para combater o mosquito da dengue, borrachudos e lagartas.

7 - Feromônios

    Feromônios são definidos, como substâncias liberadas por insetos e ácaros - e, pelos animais - as quais exercem influência sobre indivíduos da mesma espécie. Ou seja, são substâncias que possuem ou carregam uma excitação ou estímulo.

   Nos programas de controle de pragas, os feromônios, chamados como "atraentes sexuais", agem atraindo o sexo oposto. Têm sido estudados, quanto à sua eventual aplicação nos programas de combate às pragas da lavoura, diferentes aspectos:
=> Como monitor, ou seja, para determinação do nível populacional de diferentes pragas, do que resulta orientação segura sobre a ocasião oportuna para a aplicação dos tratamentos químicos.
=> Poderão ter também aplicação nos estudos bio-ecológicos como, por exemplo: levantamentos, curvas de flutuações, alcance e altura de vôo, hábitos (diurnos e noturnos), horas de maior atividade dos insetos, etc.
=> Um outro aspecto do emprego é o de "controle massal", isto é, controle direto das populações de insetos. O feromônio é colocado em armadilhas, atraindo as pragas de maneira específica, sendo então capturadas em grande número, promovendo queda de população e como conseqüência, de prejuízos.
=> Existem, ainda, sistemas denominados de "confusão dos machos" , em que doses maiores de feromônios sexuais, promovem o desnorteamento na procura das fêmeas, pois são atraídos em todas as direções, sem detectar o ponto zero (ausência de feromônio), permanecendo então, como que inertes até sobrevir à morte.

8 - Gama-radiação

    A energia nuclear já vem sendo utilizada em diversas partes do mundo na desinfestação de larvas em frutas. O método consiste em expor as frutas à radiação em ambiente fechado, garantindo a conservação e a qualidade dos produtos.

    Outro uso da tecnologia que começa a ser desenvolvido no Brasil é a energia nuclear para a esterilização de insetos-praga. Os machos são irradiados e liberados no ambiente para competirem com os reprodutores da espécie-praga.

Fonte: Portal Escola

DIA DO CONTROLE DE POLUIÇÃO POR AGROTÓXICOS - 11 DE JANEIRO

“O uso dos agrotóxicos não significa produção de alimentos, significa concentração de terra, contaminação do meio ambiente e do ser humano”

  
     A contaminação por agrotóxicos é um dos grandes problemas ambientais assim como a escassez dos recursos naturais (água, petróleo, minerais etc) e o aquecimento global, tudo isso fruto da sociedade industrial consumista que não reflete sobre suas ações e impactos no planeta.

  O homem, ao promover a destruição da Natureza, afeta diretamente os diversos ecossistemas e seus elementos (hidrosfera, atmosfera, litosfera, animais, plantas entre outros). E como tudo na Natureza está inter-relacionado e conectado, o impacto sobre os ecossistemas atinge diretamente o ser humano na sua qualidade de vida e futura sobrevivência.

    Os números revelados pelo Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) /ANVISA, dizem que nos 3271 resíduos detectados, 71,5% estavam abaixo do Limite Máximo de Resíduos - LMR, apenas 4,7% estavam acima 23,7% referiam-se a resíduos de pesticidas sem registro ou não autorizados para a cultura. Misturados no balcão dos supermercados ou nas feiras livres, fica impossível dizer se resíduos ainda estão nos alimentos ou se entre estes resíduos constam agrotóxicos não permitidos para aquela cultura. 

      A preocupação em relação aos alimentos com detecções irregulares é uma preocupação mundial. Mas mesmo aqueles alimentos considerados dentro do padrão não podem de forma alguma ser chamados de inócuos. Por isso faz-se importante esclarecer dois aspectos: como se chega ao limite máximo aceitável para a ingestão nos seres humanos e em segundo lugar saber porque determinados pesticidas estão proibidos para determinadas culturas. As doses de agrotóxicos usadas hoje na agricultura convencional foram elaboradas a partir da ingestão diária aceitável - IDA. Segundo este padrão, o organismo humano pode ingerir, inalar ou absorver certa quantidade diária, sem que isso tenha consequencia para sua saúde. O IDA deriva de um outro conceito a LD50 ou seja, dose letal 50%, que vem a ser a dose de uma substância química que provoca a morte de 50% de um grupo de animais da mesma espécie, quando administrada pela mesma via.

      Partindo desse princípio os defensores do agrotóxico recorrem à máxima de que veneno é questão de dose, logo a água é essencial para vida, mas em grandes quantidades, nos afogam. Voltando a bela maçã, vermelha e brilhante e os 60 tipos diferentes de agrotóxicos. Normalmente os venenos se potencializam mutuamente, mas o IDA não contempla essa interação. Adriano explicou que, " a mistura de agrotóxicos para aplicação não está preconizada pela lei de agrotóxicos, contudo sabemos que na prática isto acontece e não temos resultados das interações destas misturas".


    Em segundo lugar: por que é preocupante o fato de algumas amostras (23,7%) apresentarem resíduos de agrotóxicos proibidos para determinadas culturas? Estes agrotóxicos estão proibidos ou não registrados para determinadas culturas (embora possam estar permitidos para outras) porque "durante o processo de registro dos agrotóxicos, atendendo a normas específicas (Lei Nº 7802, Decreto 4074/2002) são apresentados os estudos de resíduos de agrotóxicos nas culturas a serem indicadas em bula, contendo, basicamente, dose utilizada, número de aplicações, intervalo de segurança, época e modalidade de aplicação e os resultados obtidos através de cromatografia, que deverão estar de acordo com a monografia do produto. Não ser permitido para a cultura significa que, nunca foi registrado, ou que a cultura foi excluída devido ao impacto na ingesta ou até mesmo devido à modalidade de aplicação do produto, sendo que a aplicação com equipamentos carregados pelo próprio aplicador são as que provocam o maior número de exclusões de culturas durante a reavaliação do produto", informou Adriano.

      Este é um aspecto relevante a ser considerado, pois divide opiniões. A CEAGESP, que há vários anos faz um trabalho de monitoramento, faz a seguinte leitura do problema: "Um dos principais problemas apontados pelo monitoramento é a detecção de grande participação de agrotóxicos sem registro. Este acompanhamento estimulou a criação de um grupo de trabalho... do qual partiu a proposta de mudanças na legislação de registro de agrotóxicos, que hoje tramita no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A CEAGESP é parte ativa do esforço de regularização do registro de agroquímicos (já utilizados e não regulamentados para certas culturas)".

         Já o IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) tem opinião bem diferente. Segundo o Instituto, "a ANVISA e o Ministério da Agricultura devem reavaliar a autorização no País de determinados agrotóxicos que estão sendo comercializados e utilizados em culturas para as quais são proibidos e qual a responsabilidade das indústrias de agrotóxicos em relação a esse fato". 

         Se o consumo de alimentos com resíduos de agrotóxicos permitidos ou não, é um risco para os consumidores, para os agricultores o problema é muito mais grave. Quando há comprovação de resíduos nos alimentos, a indústria química se apressa em apontar os agricultores como principais responsáveis. No Rio de Janeiro, a Microbacia do Córrego do São Lourenço, Nova Friburgo, é uma das principais produtoras de legumes do Estado e do País. Um número representativo de casos suspeitos e confirmados de intoxicação por agrotóxicos, inclusive com o registro de alguns óbitos, motivou a Associação de Pequenos Produtores Rurais de São Lourenço e a Cooperativa de Produtores de Nova Friburgo, a procurar o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz, Laboratório de Toxicologia. Os casos relatados resultaram na construção de um projeto de que revelou dados alarmantes: Os cálculos do indicador quantidade de agrotóxico/ trabalhador/ano revelaram uma relação de 56,5 kg de agrotóxicos por trabalhador/ano, valor 76% maior do que a média do IBGE para todo o Estado de São Paulo (o maior índice do País) e 1.822% maior que a média do Estado do Rio de Janeiro.

      Segundo os agricultores o uso massivo desses venenos iniciou-se há cerca de 30 anos, com a agricultura intensiva, voltada para grande produtividade. O pacote tecnológico vinha pronto e o crédito rural era vinculado ao uso de pesticidas para assegurar que as pragas não acabassem com as lavouras. Soma-se a isso o baixo grau de escolaridade desses produtores o que não permite que estes tenham uma leitura eficiente das instruções de uso e segurança na aplicação e armazenamento destes produtos químicos, que estão dispostas nas embalagens. Vejam este exemplo que consta no estudo de Frederico Peres em sua dissertação de Mestrado(1999):

      "Esta formulação contém um agente emético, portanto não controle vômito em pacientes recém intoxicados por via oral até que pela ação do esvaziamento gástrico do herbicida, o líquido estomacal venha a ser claro." Dos 12 agricultores consultados 7 não conseguiram interpretar que era necessário deixar que a pessoa intoxicada colocasse pra fora o veneno. Para Felipe da Costa Brasil, Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia/Ciência do Solo e Presidente da AEARJ, o fato dos rótulos serem de difícil compreensão para os agricultores demonstra ausência total de responsabilidade social por parte das indústrias químicas. 

        No cerne da questão dos agrotóxicos está o paradigma de que a praga é um inimigo que precisa ser destruído, eliminado. Na verdade, a praga é um indicador biológico. Se há praga é porque alguma coisa está errada. Holística que é a agricultura biológica leva em consideração aspectos fundamentais com a saúde do solo, fazendo rotação de cultivos, consorciações, promovendo uma boa alimentação da planta, que forte não permite que as pragas se alastrem. 

      Para o Engenheiro agrônomo Jean Dubois, "em primeiro lugar, convém lembrar que agrotóxicos podem matar (diversos casos de morte entre produtores de fumo no RS) ou afetar a saúde de produtores (por exemplo, na bananicultura em monocultivo a pleno sol no Estado de S.Paulo, com freqüentes aplicações de agroquímicos por avionetes) e intoxicação progressiva de consumidores. As alternativas são: agricultura orgânica, agricultura ecológica, permacultura, sistemas agroflorestais (SAFs). Quando esses SAFs reúnem um número bastante elevado de espécies perenes (SAFs adequadamente "biodiversificados"). Hoje, muitos agricultores têm SAFs insuficientemente "biodiversificados" nos quais as pragas encontram boas condições de se multiplicar e, neste caso, o agricultor quando tem dinheiro compra e aplica agrotóxicos. Daí a necessidade quando se trata de SAFs de implantar e manejar SAFs adequadamente biodiversificados."

Fonte:http://www.portalescolar.net/2011/12/controle-da-poluicao-por-agrotoxicos-11.html#ixzz1iu4fIk1p